Na manhã desta terça-feira (17 de junho de 2025), o Hard Rock Cafe Curitiba foi palco da primeira edição do MICE LAB – Laboratório de estratégias para o mercado de eventos. Promovido pelo Curitiba Convention, o encontro reuniu cerca de 150 empresas associadas e entidades dos segmentos de eventos, marketing, turismo e comunicação para uma imersão estratégica nas tendências e desafios do setor.
A abertura foi conduzida por Cristiane Santos, Diretora Executiva do Curitiba Convention, que apresentou os objetivos do MICE LAB e a dinâmica do encontro. Em seguida, Aroldo Schultz, CEO da Schultz Turismo, trouxe uma importante novidade para o setor ao anunciar o lançamento do Wikitravel, plataforma inovadora voltada à divulgação de destinos turísticos e eventos.
Na sequência, a Presidente do Curitiba Convention, Gislaine Queiroz, destacou a importância da atuação dos associados como disseminadores da entidade e como porta-vozes do setor. Em sua fala, ela contextualizou a formatação do MICE LAB como uma evolução do tradicional “Café com o CCVB”, propondo um novo formato mais estratégico, profundo e alinhado às demandas atuais do mercado. “O MICE LAB surge como uma plataforma para aprofundar o entendimento sobre como o segmento de eventos impacta diretamente a economia local e nacional”, afirmou, ressaltando a relevância dos nomes os palestrantes – Rodrigo Cordeiro, Vanessa Martin, Ana Paula Cardinal e Janaína Driessen na programação –, além do apoio de marcas como Ademicon e Neodent, fortalecendo o papel dos eventos corporativos na competitividade econômica.
O anfitrião do evento, Rafael Magosso, proprietário do Hard Rock Cafe Curitiba e vice-presidente do Curitiba Convention, compartilhou em seguida os bastidores da trajetória do estabelecimento (associado há nove anos ao Curitiba Convention) e que, ao longo de uma década de existência, já recebeu mais de 3 milhões de clientes, com 80% do faturamento ligado diretamente ao turismo. “O Convention gera negócios e se tornou um importante hub de conexões e desenvolvimento”, resumiu Magosso.
2ª edição da Pesquisa do Mercado de Eventos Associativos
A apresentação de Rodrigo Cordeiro trouxe dados inéditos referentes à 2ª edição da Pesquisa do Mercado de Eventos Associativos, revelando um panorama robusto e cheio de desafios. Entre os dados exibidos, destacam-se que 71% das captações ainda são de eventos presenciais, 53% das entidades realizam eventos itinerantes e 12% planejam migrar para sedes fixas. Cordeiro enfatizou a complexidade da operação de eventos atualmente, citando entraves como alvarás, liberações e tributações. “Quanto mais traduzirmos estas informações e transmitirmos segurança aos nossos clientes, mais ganhamos credibilidade”, destacou, ao apontar também que a articulação política mais próxima entre governos e promotores de eventos traz pontos na escolha do destino.
A pesquisa contou com a participação de 108 entidades, que movimentam mais de R$ 620 milhões por ano e organizam eventos com expressiva participação: 185.760 associados, 199.800 congressistas, 21.816 expositores e 142.020 visitantes em feiras e exposições apenas em 2023. As entidades consultadas apresentam um número médio de
1.720 associados e promovem, em média, 20 eventos por ano. O orçamento médio anual das associações gira em torno de R$ 2,9 milhões, enquanto os eventos realizados em 2023 movimentaram, em média, R$ 2,83 milhões cada.
A pesquisa ainda aponta São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campinas como os destinos mais citados para sediar eventos, além de destacar a crescente captação de eventos internacionais (38% das entidades) e o impacto direto no setor hoteleiro, com 45% das entidades gerando mais de 2.5 mil pernoites por ano.
“Eventos não são mais eventos: são movimentos”
Encerrando o ciclo de palestras, a especialista Vanessa Martin provocou reflexões na audiência com a palestra “Eventos não são mais eventos: são movimentos!”, abordando a necessidade de reinventar a forma como os eventos são concebidos e entregues. Segundo ela, vivemos o desafio da “economia da atenção”, em que a abundância de conteúdo e a hiperconectividade exigem que as experiências sejam mais significativas, emocionais e memoráveis desde o primeiro contato até muito depois do encerramento. “Eventos precisam ter alma, gerar conexão e deixar legado”, disse.
Vanessa apresentou o case Oasis Connection 2025 como exemplo de evento transformador e destacou como a tecnologia – principalmente a inteligência artificial – pode ampliar a personalização e a experiência sensorial dos participantes. Para ela, a IA já é capaz de gerar estímulos como sons, aromas e atmosferas que reforçam a experiência emocional. “No entanto, um dos principais desafios do nosso tempo é entender como usar o digital com alma”, mencionou.
Ao final de sua fala, ela destacou alguns pilares fundamentais para repensar o futuro dos eventos: reimaginar o propósito, questionando se o evento deixaria saudade caso desaparecesse; desbloquear mentes, abandonando fórmulas prontas e incentivando a experimentação; medir o que importa, com decisões baseadas em dados relevantes; fundir o real e o digital, criando experiências híbridas fluidas; e exigir inovação, escolhendo fornecedores que sejam cocriadores, não mais apenas executores. Por fim, ressaltou a importância de tornar o ESG invisível – ou seja, tornar a sustentabilidade um valor intrínseco à realização de qualquer evento, e não um diferencial.
O MICE LAB foi encerrado com o painel “Eventos com Propósito”, mediado pelo Curitiba Convention e com a participação de Ana Paula Cardinal, Gerente de Eventos do Grupo Straumann Brasil e de Janaína Driessen, Gerente de Marketing da Ademicon.
O encontro foi prestigiado por Giovanni Bagatini (Coordenador da Câmara de Turismo da Fecomércio), Luis Fernando Menuci (Presidente da Abrasel Paraná), Onésimo Santos (Presidente do SINDETUR-Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Paraná) e representantes do Instituto Municipal de Turismo (IMT).